Ele desce em águas que não são água — um reino clássico onde o tempo se acumula como sedimento, onde fragmentos de mármore emergem de profundezas que nenhum olho mortal mapeou. A paisagem recusa geografia convencional. À sua volta, os mortos precoces se agitam. Sereias chamam com vozes que soam como tudo aquilo que ele sempre desejou. O mundo finito não recua atrás dele, mas abaixo, afundando como um baixio sob mares clássicos insondáveis. Sua biblioteca, suas ambições mortais — tudo reduzido a especos. Aqui, o graal não é buscado, mas encontrado: Helena aguarda no mosaico do mito, belamente inatingível, o prêmio que o ensinará, finalmente e definitivamente, o custo do desejo em si. A história não croniza este momento. A história se afoga nele. Fausto permanece sozinho entre os abrigadores de deuses e espectros, e a promessa de transcendência — vasta, luminosa, exatamente aquilo que ele sempre desejou — tem o gosto, enquanto ele a alcança, precisamente de perdição.